Viver acordada

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Ilustração: biaPOF

Dormir é uma coisa muito louca: você está ali, mas de repente “não esta mais”, não vê mais nada, e acorda como se nada tivesse acontecido. E é essa sensação de parecer-que-nada-aconteceu que sinto como se deixasse um vazio. Pulou a cena pra frente, no meio do capítulo seguinte, eu perdi aquela parte do filme e não tem como voltar.

Eu, particularmente, não gosto de dormir por muito tempo, é como se estivesse perdendo um pouco de vida. E eu gosto é de viver acordada. Mesmo sabendo que pra viver é preciso dormir, se eu pudesse, não dormiria nunca, pra poder aproveitar. – Sim, eu gosto de dormir, é bom, é maravilhoso, é o que dá graça pra coisa… Mas só quando estou cansada e precisando (já que não tem outro jeito né).

Tenho vontade de fazer tanta coisa, que o sono, realmente, às vezes atrapalha. Poxa, tem dias que se eu pudesse escolher ter mais horas no meu dia, eu gostaria de ter. E eu acho que se eu pudesse utilizar essas horinhas que eu passo dormindo, se não precisasse dormir nesse tempo e produzisse, aproveitasse, já seria suficiente. Mas por outro lado, eu fico imaginando que, se eu pudesse ficar acordada 24 horas por dia, sem necessidade de dormir, talvez eu achasse pouco, e quisesse mais, e mais, e mais horas, enfim… Entraria num ciclo de necessidade sem fim.

A gente é assim, sempre parece que tá faltando. O mundo é tão grande, as possibilidades são infinitas, tanta coisa pra conhecer, aprender… O tempo parece que nunca é suficiente. E eu chego a um ponto em que PRECISO dormir, não adianta. Tenho uma certa rotina de sono, natural do organismo humano mesmo. Assim como outras pessoas ficam mais tempo acordadas, chega uma hora em que eu não consigo. Sabe aquela expressão “capotar”? Pois é. E até que nem durmo tanto por noite, umas 6 horas é ok pra mim, mas necessito daquele tempo!

Sei que, se eu ficar com o sono atrasado, eu vou me atrapalhar nos dias seguintes. Uma noite em que durmo pouco já basta pra me desorientar. Já acordo na quarta-feira achando que é sexta, ou não ouço o despertador tocar e tenho que levantar naquela corrida que atrapalha o dia todo. Quando isso acontece, minha nossa, seguuuura! Hahaha, não é fácil. Tem que conciliar tudo com trabalho, estudo, outras coisas que a gente sempre tem pra fazer… Quando pensamos que vamos dormir mais cedo, sempre surge uma coisa ou outra pra distrair, e quando nos damos por conta, já era… a hora já passa da meia noite! Vai dizer que não é assim?

Sempre tem aquelas promessas pra gente mesmo tipo “assim que der eu passo o final de semana inteiro na cama e recupero o sono perdido”. Jura né? Chega o bendito fim de semana, eu meio que acordo, e a cabecinha já começa a trabalhar e lembrar do tanto de vida que está perdendo. É o suficiente pra levantar da cama, ou pelo menos deitar mais um pouquinho, só que dessa vez acordada, consciente e aproveitando cada minutinho do descanso.

O sono “perdido” nunca vai ser recuperado, pelo menos eu não consigo. Me conformo pensando que é melhor ficar com essas horas de sono negativas, do que deixar de viver (e sonhar) acordada.

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