Ano novo, vida renova

Acredito que a vida nova não depende do novo ano. Depende de um gesto novo, de um sorriso novo, de uma atitude nova. Assim, podemos começar uma vida nova a qualquer dia. Todo dia. Renovar. Não precisamos esperar a troca do calendário. Por isso uma vida nova também é feita do que nem é tão novo assim. É feita de rotina, de família e de amigos, de gestos que não são novos, mas que ao se repetirem, renovam a convivência. É carinho, é abraço, é estar junto. Coisas que podem ser tão corriqueiras, mas que nunca envelhecem. São figurinhas que podem se repetir em todas as páginas de agendas, mas nunca vão enjoar.

Optei por não escrever sobre metas ou retrospectivas, pois 2016 foi um ano conturbado e intenso. Foi mundialmente catastrófico, porém, teve seus momentos de glória. E pessoalmente, pra mim, também foi de altos e baixos – aliás, bem altos e bem baixos, diga-se de passagem. E falando nisso, creio que passamos pelo que passamos para crescer. Temos tanto a aprender com as derrotas quanto com as conquistas. Nem nossos problemas e nem nossos méritos são dignos de maior ênfase do que os dos outros. Todos ocupam seu devido espaço. Francamente, seja a situação positiva ou negativa, sempre há a metade cheia do copo. E, apesar de nem sempre ser muito fácil esquecer a metade vazia, é sempre importante buscar valorizar a parcela boa. Focar no lado bom não vai diminuir o peso da barra, mas com certeza vai ajudar a seguir em frente com mais leveza.

Foca, valoriza, renova. Feliz 2017!

Do meu arquivo: uma crônica sobre crônicas

 

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Preciso compartilhar aqui um texto que encontrei relendo arquivos antigos, que escrevi há alguns anos atrás. Pelo que o próprio texto mostra, foi escrito em 2010 (quando eu estava terminando o Ensino Médio), e precisava ser uma crônica, onde, na falta de assunto, eu resolvi falar justamente (e estranhamente) de um típico “problema” de uma adolescente que se encontra cheia de tarefas a cumprir em um ano decisivo. E por falar em ano, percebe-se que é bem característico de tal, pois citei inclusive o falecido serviço de comunicação MSN. Hahaha sim, e eu entreguei isso pra professora!

Não lembro se ela gostou ou não, mas, apesar de ser engraçado ao ler agora, acho até que ficou bom, faz sentido! Pelo que eu me lembro, foi a primeira vez que tive a oportunidade de escrever uma crônica pra valer – que, na minha cabeça, era escrever o que eu pensava, da forma que eu queria, sem muitas regras, e sem ser julgada por estar certa ou errada, como geralmente eu me sentia em relação ao que escrevia em sala de aula, enfim, conto um pouco disso no texto “Poesia Crônica”. Na sequencia, a fatídica construção da crônica:

Uma crônica sobre crônicas

“Preciso escrever uma crônica”. Essa é a frase que não sai da minha cabeça nos últimos minutos. Deveria ser nos últimos dias, porque a professora pediu na semana passada, mas, como não tem jeito, tudo acaba ficando pra última hora, feito sob aquela pressão que só quem já foi aluno conhece, então, é nisso que venho pensando nos últimos minutos mesmo.
Eu tenho o costume de ler crônicas, e nesses últimos dias eu até que tenho dado uma pesquisada nos meus cronistas favoritos Antônio Prata e Fabrício Carpinejar – adoro o que eles escrevem, indico eles sempre, mas enfim, voltando.. – para ver se encontro alguma ideia, alguma inspiração, mas a sensação que tenho após ler suas crônicas é exatamente contrária à que eu esperava: penso “Como eles conseguem? Nunca vou conseguir escrever como eles”, e tudo o que ganho com esse tempo em que li, foi só o conhecimento de umas crônicas a mais.
Eu sei, isso é ótimo, é bom pra mim, mas me faz pensar que já existem crônicas pra tudo. E eles escrevem de uma maneira tão singular, que não imagino eu, mera aluna de terceiro ano do ensino médio, conseguir escrever dessa maneira tão diferente que eles escrevem sobre praticamente tudo: desde assuntos mais corriqueiros como o amor, a infância, verão, o amor de infância e de verão.. até assuntos mais inéditos como papel higiênico, bolsos, sungas e caneta Bic  (vê se pode, até uma Bic tem crônica e eu não sei sobre o que escrever). Tudo isso escrito de uma forma tão inovadora, digamos assim, e tão envolvente que faz querer ler mais e mais sobre aquele jeito alegre de escrever, como se o cronista só pensasse e a crônica ficasse pronta!
Já passaram tantos assuntos pela minha cabeça durante esses minutos, que quando eu penso que encontrei o tema que queria para minha crônica, encontro uma já existente, exatamente sobre o que eu queria escrever, fazendo-me esquecer de tudo o que eu estava pensando, de modo que eu consiga pensar como quem a escreveu – não sei se estou conseguindo expressar direito, mas espero que estejam compreendendo minha linha de pensamento – pois uma crônica bem escrita é assim mesmo, inexplicavelmente, nos faz pensar da mesma maneira que o cronista, ou pelo menos enxergar aquela forma de visão que o cronista tem, que antes talvez não nos chamasse atenção.
E é isso que quero e preciso fazer na minha crônica. Expressar a minha forma de percepção sobre algo, mas por algum motivo, não consigo. Talvez por causa dos meus cronistas favoritos, talvez por causa dos amores de infância e de verão, pelo papel higiênico ou pela Bic, ou ainda por causa da janelinha do MSN sempre aparecendo na tela ou alguém aqui de casa pedindo pra eu fazer isso ou aquilo. Acho que pode ser porque eu não tenha o dom, ou não sei o que pode se chamar que os cronistas têm ao fazer as suas crônicas. Talvez eu não tenha nascido pra isso, talvez eu tenha que fazer meus deveres antes, e não sob aquela pressão da véspera da entrega, mas, pra hoje, foi o que consegui e a única certeza que tenho é de que eu preciso escrever uma crônica.

Lembremo-nos: discurso de formatura

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No dia 27 de agosto foi a minha formatura no curso de graduação em Ciências Contábeis pela UNISC (Santa Cruz do Sul – RS). Neste dia tão importante, recebi, junto com minha colega Scheila Nowotny, a tarefa de desempenhar o papel de oradora da turma. Muitas coisas passam na cabeça neste momento, há tanto para se dizer, tantas pessoas para representar e outras tantas para agradecer. Para o discurso, tentei elaborar algo bem abrangente, e o mesmo tempo pessoal, para que todos os envolvidos se sentissem representados naquele momento.

Agora, resolvi compartilhar as palavras ditas naquele dia, com os leitores aqui do blog, que é onde reúno o que escrevo para dividir com quem se identifica. E sim, é um discurso, é um pouco longo mesmo, e talvez tenha alguns clichês de todo esse sentimento envolvido em formaturas, mas há coisas que precisam ser ditas. Enfim, busquei ajustar até mesmo os clichês à nossa realidade, fiz o que pude, foi de coração.

Pulando a parte dos cumprimentos iniciais, lá vai…

″Estamos aqui, celebrando a superação de um desafio em comum, que foi aceito por cada um dos formandos, há alguns anos atrás. Comemoramos hoje o alcance de um mesmo objetivo, sonhado e batalhado em diferentes situações de vida. A escolha foi duvidosa, o caminho não foi fácil, mas é a superação dos desafios que nos fortalece.

Por exemplo, eu sempre vi o discurso de um orador de turma, como um momento importante, mas nunca havia me imaginado exercendo essa função. Inclusive, no semestre passado, enquanto eu assistia à colação de grau do curso de Ciências Contábeis da UNISC, onde estavam se formando muitos dos amigos que fiz nesta instituição, eu imaginava que dali a seis meses, seria eu. Porém, naquele momento, eu tinha certeza de que eu não teria coragem para falar especificamente como oradora, pois não deveria ser nada fácil estar na frente dos colegas, mestres, familiares e amigos, para falar sobre a conclusão de uma etapa, na qual todas essas pessoas foram importantes e acompanharam o desenvolvimento de perto.

Eis que a vida dá voltas, os desafios surgem e me vejo agora, aqui, com a tarefa de falar justamente para todas essas pessoas… E continuo achando que não é fácil! Mas gostaria de agradecer imensamente a presença de todos, em nome da turma.

Acredito que as oportunidades surgem em nossas vidas para nos instigar a melhorar, para nos desafiar e fazer com que superemos nossos medos. E só estamos aqui hoje, colegas, por conta de uma sucessão de oportunidades que nos desafiaram, e que aceitamos enfrentar.

É isso que o ingresso na vida acadêmica faz: nos desafia! É um grande e importante desafio, repleto de outros pequenos e cotidianos desafios. Desde o início, passamos a vivenciar diferentes condições que nos estimulam a melhorar nossa forma de agir e de pensar. Nos fazem sair de nossa zona de conforto.

Quantos de nós pensaram que não conseguiriam realizar um curso de graduação, seja por falta de tempo para estudar e passar no vestibular, ou por não conseguir conciliar a rotina com outros afazeres, ou ainda, por dificuldades financeiras. São motivos corriqueiros, que fazem com que muitas pessoas tenham que abrir mão do sonho. Depois, quantos de nós tiveram dificuldade em disciplinas, naquelas clássicas do curso que amedrontam a todos. Quantos não passaram dias e noites a fio, quebrando a cabeça para ajustar a rotina aos períodos de estudo, realizando trabalhos e, frequentemente, dormindo muito pouco. Quantos de nós ficaram em dúvida quanto ao tema do trabalho de conclusão, e desafiaram seus próprios receios para apresentar o resultado final perante à banca avaliadora.

Estes são apenas alguns exemplos de desafios que muitos de nós, se não achamos que não conseguiríamos, pelo menos sabíamos que não seria fácil. Realmente, mais uma vez, não foi fácil, mas também não foi impossível. E foi tão possível, que hoje estamos aqui! Sabemos que são desafios que foram superados, e que muito contribuíram para o nosso desenvolvimento acadêmico e profissional.

Nós gostaríamos de fazer um apelo à turma, tanto aos colegas como a nós mesmas, para que levemos como uma missão daqui para frente: basicamente, pedimos para que LEMBREMO-NOS. Lembremo-nos de duas coisas, em especial:

Primeiramente, de nosso FUTURO, de continuar aprendendo, para continuar tentando melhorar sempre. Para mantermos a disciplina da classe contábil, e o alto nível de ensino e formação das instituições. Para buscarmos, cada vez mais e de melhor forma, repassar o nosso conhecimento a quem dele necessite, considerando a amplitude e constante ascensão do mercado contábil. Para assim, lutarmos para melhorar a situação de nosso país, enfrentando desafios com sabedoria e prezando por uma atuação condizente com os princípios éticos, ao mesmo tempo em que executamos nossas tarefas com eficiência.

Além disso, pedimos para que lembremo-nos também, de nosso PASSADO. Para que durante todos os dias daqui pra frente, não nos esqueçamos de lembrar o que vivemos para chegar até aqui. Lembremo-nos dos mestres que nos orientaram, dos colegas que dividiram conosco as angústias e alegrias que passamos durante a graduação, dos familiares, amigos e de todas aquelas pessoas que nos apoiaram, incentivaram, inspiraram e assim, nos ajudaram a seguir em frente, para hoje estarmos comemorando esta conquista, pois a estas pessoas devemos nosso maior agradecimento. E principalmente, lembremo-nos de que não foi fácil, mas que não foi impossível, tanto que superamos o desafio de alcançar nosso objetivo.

Destacamos estas duas grandes riquezas da vida, as quais precisamos sempre lembrar: o futuro e o passado. E em meio a essa relação, surge a dúvida sobre o presente. E quanto à ele, gostaríamos de deixar uma frase muito pertinente de Chico Xavier, que diz ‘crê em ti mesmo, age e verás os resultados. Quando te esforças, a vida também se esforça para te ajudar’. E é realmente isso: enquanto lembramos do futuro, e do passado, devemos acreditar em nós mesmos, e agir. Dedicar nossos maiores esforços para o pleno desenvolvimento do agora.

Nós precisamos viver o presente, aproveitar e tentar tirar o melhor de cada momento, para que sejamos melhores a cada novo futuro que passarmos a viver, e lembremos de cada vez mais conquistas que realizamos no passado. Como esta que estamos comemorando hoje, que é a coroação da superação de vários desafios de cada um de nós, e que amanhã, vamos apenas lembrar.

Por isso, vamos viver e celebrar este momento, da forma mais plena possível, para que este presente se torne uma de nossas melhores lembranças do passado, no futuro. Muito obrigada!”