Do meu arquivo: uma crônica sobre crônicas

 

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Preciso compartilhar aqui um texto que encontrei relendo arquivos antigos, que escrevi há alguns anos atrás. Pelo que o próprio texto mostra, foi escrito em 2010 (quando eu estava terminando o Ensino Médio), e precisava ser uma crônica, onde, na falta de assunto, eu resolvi falar justamente (e estranhamente) de um típico “problema” de uma adolescente que se encontra cheia de tarefas a cumprir em um ano decisivo. E por falar em ano, percebe-se que é bem característico de tal, pois citei inclusive o falecido serviço de comunicação MSN. Hahaha sim, e eu entreguei isso pra professora!

Não lembro se ela gostou ou não, mas, apesar de ser engraçado ao ler agora, acho até que ficou bom, faz sentido! Pelo que eu me lembro, foi a primeira vez que tive a oportunidade de escrever uma crônica pra valer – que, na minha cabeça, era escrever o que eu pensava, da forma que eu queria, sem muitas regras, e sem ser julgada por estar certa ou errada, como geralmente eu me sentia em relação ao que escrevia em sala de aula, enfim, conto um pouco disso no texto “Poesia Crônica”. Na sequencia, a fatídica construção da crônica:

Uma crônica sobre crônicas

“Preciso escrever uma crônica”. Essa é a frase que não sai da minha cabeça nos últimos minutos. Deveria ser nos últimos dias, porque a professora pediu na semana passada, mas, como não tem jeito, tudo acaba ficando pra última hora, feito sob aquela pressão que só quem já foi aluno conhece, então, é nisso que venho pensando nos últimos minutos mesmo.
Eu tenho o costume de ler crônicas, e nesses últimos dias eu até que tenho dado uma pesquisada nos meus cronistas favoritos Antônio Prata e Fabrício Carpinejar – adoro o que eles escrevem, indico eles sempre, mas enfim, voltando.. – para ver se encontro alguma ideia, alguma inspiração, mas a sensação que tenho após ler suas crônicas é exatamente contrária à que eu esperava: penso “Como eles conseguem? Nunca vou conseguir escrever como eles”, e tudo o que ganho com esse tempo em que li, foi só o conhecimento de umas crônicas a mais.
Eu sei, isso é ótimo, é bom pra mim, mas me faz pensar que já existem crônicas pra tudo. E eles escrevem de uma maneira tão singular, que não imagino eu, mera aluna de terceiro ano do ensino médio, conseguir escrever dessa maneira tão diferente que eles escrevem sobre praticamente tudo: desde assuntos mais corriqueiros como o amor, a infância, verão, o amor de infância e de verão.. até assuntos mais inéditos como papel higiênico, bolsos, sungas e caneta Bic  (vê se pode, até uma Bic tem crônica e eu não sei sobre o que escrever). Tudo isso escrito de uma forma tão inovadora, digamos assim, e tão envolvente que faz querer ler mais e mais sobre aquele jeito alegre de escrever, como se o cronista só pensasse e a crônica ficasse pronta!
Já passaram tantos assuntos pela minha cabeça durante esses minutos, que quando eu penso que encontrei o tema que queria para minha crônica, encontro uma já existente, exatamente sobre o que eu queria escrever, fazendo-me esquecer de tudo o que eu estava pensando, de modo que eu consiga pensar como quem a escreveu – não sei se estou conseguindo expressar direito, mas espero que estejam compreendendo minha linha de pensamento – pois uma crônica bem escrita é assim mesmo, inexplicavelmente, nos faz pensar da mesma maneira que o cronista, ou pelo menos enxergar aquela forma de visão que o cronista tem, que antes talvez não nos chamasse atenção.
E é isso que quero e preciso fazer na minha crônica. Expressar a minha forma de percepção sobre algo, mas por algum motivo, não consigo. Talvez por causa dos meus cronistas favoritos, talvez por causa dos amores de infância e de verão, pelo papel higiênico ou pela Bic, ou ainda por causa da janelinha do MSN sempre aparecendo na tela ou alguém aqui de casa pedindo pra eu fazer isso ou aquilo. Acho que pode ser porque eu não tenha o dom, ou não sei o que pode se chamar que os cronistas têm ao fazer as suas crônicas. Talvez eu não tenha nascido pra isso, talvez eu tenha que fazer meus deveres antes, e não sob aquela pressão da véspera da entrega, mas, pra hoje, foi o que consegui e a única certeza que tenho é de que eu preciso escrever uma crônica.

Por tudo

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Há algum tempo atrás, eu vi uma mensagem de uma mãe para uma filha na internet. A mensagem era muito bonita, mas o que me chamou atenção foi a resposta da filha. Ela disse “mãe, te amo, muito obrigada por tudo!”. Também foi uma resposta bonita, que é basicamente o resumo da expressão de agradecimento e amor, mas fiquei pensando nessas palavras por um tempo.

“Obrigado por tudo”.  Nós, enquanto filhos, temos consciência de tudo isso pelo que agradecemos a nossas mães? – E enquanto falo das mães, incluo também pais, e aquelas pessoas que, independentemente de familiaridade, criam este mesmo tipo de vínculo com outros seres – Penso que não.

Mas não porque não queremos, pois não são poucas as vezes em que paramos para refletir sobre o empenho de quem nos cuidou desde nossos primeiros momentos neste mundo. Podemos até não pensar em cada detalhe no momento em que agradecemos por “tudo”, mas este é um agradecimento tão complexo, que acredito que até faltam palavras.

Todos nós, enquanto filhos, sabemos que essa tarefa não é fácil. E é por isso que agradecemos.

Sem nem ser mãe ainda, tento ter ideia da complexidade deste ato. Sei que alguma coisa mais forte acontece dentro da gente quando nos tornamos mães, que posso até pensar que entendo agora, mas esse sentimento mesmo, só vou conhecer quando for a hora. E é por esse sentimento que agradecemos.

Até mesmo quem já é mãe nunca vai saber, de fato, o que representou na vida de sua mãe, quando ela soube de sua chegada. No momento sua mãe tornou-se, definitivamente, mãe. Independente das circunstâncias, é um acontecimento único na vida de uma pessoa, e sempre acarreta mudanças. Sei que a vida de uma mãe nunca mais é a mesma depois que ela sabe da chegada de um filho. É por essa mudança que agradecemos.

Nós, filhos, nunca saberemos daqueles planos que elas precisaram deixar de lado, por conta de nossa chegada. Ou ainda, dos meses que passaram estudando ou trabalhando conosco em seus ventres, e também depois de nossa chegada, para garantir nosso sustento. Das noites que passaram em claro para nos acalmar, ou quando estavam com problemas, mas estes eram esquecidos para cuidar de nossas dores.

É por tudo isso que tentamos agradecer, na verdade.  E por causa disso entendo que um “eu te amo” de mãe, é repleto de vontade de abraçar, de cuidar, de dizer tantas coisas que, por sua vez, também não caberiam em palavras. Coisas que eu nem devo fazer ideia…

Entendo enfim, que um “obrigado por tudo” de um filho, é uma tentativa de retribuir esse sentimento que, de tão inexplicável, resumimos apenas assim, com “tudo”.

O assunto do dia

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É, parece que o frio chegou de vez. Hoje, especificamente e drasticamente o tempo virou, e a mudança de temperatura foi explícita. Como de costume, ao acordar, verifiquei a previsão do tempo no meu celular e me impressionei: máxima de 13°C! Eu sabia que iria esfriar, mas tipo, como assim tão rápido? Ontem mesmo estava fazendo vinte poucos graus. A mudança repentina chamou atenção de muita gente.

Começamos a sentir o frio, a ver o frio, e também a ouvir o frio. Sim, foi o assunto do dia em muitas conversas que presenciei e, obviamente, nas redes sociais não foi diferente. Fotos de pessoas agasalhadas, notícias sobre o clima e desejos de gordices de frio começaram a rolar na timeline. Sopa, chocolate quente e chimarrão parecem ser as campeãs.

Mas sabíamos que ele estava pra chegar, e a diferença climática entre as estações no Rio Grande do Sul é bem extrema. Inclusive, por aqui tem dessas: quando a gente já tá de saco cheio do calor, começa a esfriar, e quando não aguentamos mais passar frio, o calorzinho começa a dar as caras. Acho isso ótimo porque isso reflete diretamente no guarda-roupas, e quando já não temos mais looks para montar com as peças da estação, podemos trocar pelas da próxima.

Em geral, o meio termo só existe na primavera e no outono, as estações costumam ser bem demarcadas, e sei que isso não acontece em todo Brasil. De resto, dá pra inverter o guarda-roupas MESMO! Não precisa deixar aquelas peças de meia estação mais à mão porque elas não vão ser utilizadas, a menos que possam cobrir ou serem cobertas por outras três ou quatro camadas de roupa no inverno. Aliás, a não ser no verão, aquele shortinho e a blusinha fina podem ficar bem no fundo da gaveta mesmo.

Eu sou muito friorenta. Do tipo que não consegue deixar o pescoço à mostra no inverno e vive com dor nas costas por ficar se encolhendo nos dias de frio. Morro de inveja daquelas mulheres que parecem que não sentem frio e conseguem usar poucas camadas de roupas sem ficarem arrepiadas. Porque, convenhamos, por mais que casacos, botas e toucas possam dar um ar super elegante ao visual, em algumas situações eles não são adequados. É preciso ser forte para aguentar o frio e usar uma roupa que preze pela feminilidade em determinados eventos durante o inverno e não ficar parecendo uma múmia enrolada em centenas de roupas.

Para esse período de transição entre estações, tenho uma tática para tentar não sentir tanto frio quando ele estiver em seus dias mais rigorosos: não vou logo vestindo tudo que é possível já no início. Vou passando um pouco de frio nos primeiros dias pra ir me acostumando aos poucos. É engraçado, pode parecer loucura e talvez seja só psicológico, mas que seja! Prefiro acreditar que funciona, porque se fazendo isso eu já sinto tanto frio no auge do inverno, imagino que se não fizesse, talvez precisasse andar enrolada em um cobertor o dia todo.

Fica a dica pra galera do friozão. Quem é com eu, deve entender, e não custa tentar pra ver se vai funcionar, né não? Depois que passar o inverno a gente conversa pra ver se deu certo.